segunda-feira, 17 de outubro de 2011

FELICIDADE


Se entendi bem a Ética a Nicômaco, de Aristóteles, a discussão sobre a felicidade entre os gregos tinha dentre as posições mais aceitáveis aquela de que felicidade significa somente aquele momento em que, no fim da vida, um homem vê o todo de sua existência e conclui que ela foi uma realização completa de suas potencialidades, virtudes e riquezas. Se uma vida humana durasse 60 anos, digamos, talvez a felicidade custasse a última semana, no leito de morte, ou, mais tragicamente, o último segundo. O tempo preciso para ter certeza de que a vida foi boa e não pode piorar, porque não há mais tempo para isso.

A ideia é um pouco estranha para nossa consciência moderna. Para nós (e desculpem-me a ousadia de falar por todos) a felicidade seria um estado duradouro de prazer. Não o fim de um processo, mas o começo e o meio também. Ou senão, pelo menos os "momentos felizes" são a verdadeira felicidade. Nada de vida inteira, nem meses, nem anos. A felicidade só preenche pontos quase isolados: foi o seu aniversário de cinco anos, quando você sentou no seu primeiro carro, ou simplesmente o dia quando você encontrou o amor da sua vida.

O certo é que somos felizes no tempo e no espaço. E que só podemos ser felizes no tempo e no espaço em que existimos. Talvez não haja nada mais feliz que uma boa certezas, e se posso dizer que sou otimista (pelo menos em algo na vida), é nisto: tenho guardado cada vez mais fortemente a ideia de que seja lá o que for ser feliz, isto acontece no tempo presente, e no lugar em que se está. Uma vida inteira é muito pouco para viver o presente. Um segundo é desperdício demais, se já podemos viver bem em um centésimo, um milésimo dele.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

"MEMORIAL BÁRBARA DE ALENCAR" DO POETA DE MEIA-TIGELA


"Memorial Bárbara de Alencar & outros poemas", do Poeta de Meia-Tigela, é pra se ler por inteiro e na ordem. Acho que meu maior erro foi ter lido pela primeira vez do jeito errado, como se fosse possível ler o romance pelo capítulo do meio. Agora foi que percebi com mais firmeza a forma desse cordel solar, de amarelo que mistura a cor da terra com a cor da gente da terra. Só assim para perceber rima e o estilo desafiando o leitor progressivamente a imaginar os limites da fôrma, ultrapassáveis. A luta em cada espaço do poema, poemas que falam dos heróis e de batalhas, de mitos e dos lugares onde nascem as bocas que alimentam esses mitos. São poemas-praça, onde se fazem forrós e comícios, onde a vida dá tapa na cara, mas também recebe.

Cada estória convida a imitar aqueles que agiram, formando acrósticos com seus nomes. E cada nome é como um mantra, que quer fazer o meditante obter a consciência de alguma coisa que se perdeu porque pensamos demais ou de menos. O Memorial, peça principal do livro, conta a história de uma Bárbara de Alencar valente e desafiadora, cuja revolta do clã (dos liberais Alencares contra o Império) é tão sua quanto de qualquer dos parentes do sexo masculino. A coragem de enfrentar até o fim a vida sem dignidade do cativeiro e depois a grave desilusão com a amizade daqueles que agora não a tratavam mais como iguais fazem Dona Bárbara uma intrigante personagem que, fiel a si mesma, luta pelo Brasil. No final das contas, fiel ao Brasil, luta por si mesma. Figura cuja face não foi eternizada, fez seu próprio autorretrato, com os atos e a porfia:


"Não teve a face retida

Ao menos delineada

Nenhum pobre esboço, nada

Que a fizesse conhecida.


(…)


Se esteve obscurecida

Ei-la agora revelada

Nítida, autorretratada

Nas dores de sua vida."

O livro também contem outros poemas, de mesma estirpe e estilo. Um dedicado ao cinema de Glauber Rocha, outro uma interessante adaptação para poema do curto e grosso Manual do Guerrilheiro de Carlos Marighella, e até mesmo um outro sobre o filósofo Farias Brito, que enfrenta com táticas de guerrilha os erros da Providência divina e humana. são alguns dos poemas. No final, dois poemas utópicos, um se trata da construção ideal da própria Utopia como um lugar, o outro da revelação apocalíptica da destruição do Ceará injusto, a vista de um outro melhor, levada a cabo pelos artistas e heróis do Estado.

O Poeta de Meia-Tigela usa como instrumento o modo de fazer poema da nossa gente, rimado e agreste, para tratar da temática ressequida e espinhosa da luta e da coragem de ser o que se é. Contra a injustiça, contra a miséria, a esperteza do guerrilheiro permite a coragem de lutar e de filosofar. Talvez como José de Alencar e os românticos, o Poeta quer fundar conscientemente o Ceará guerreiro em suas bases espirituais. Este novo Ceará só é possível com o material bem velho que se esconde no riso moleque tão farto por aqui, mas geralmente cínico e conservador. Quem ri assim quer rir sempre mais alto, por último e com a maioria, tentando encobrir a sagacidade dos corajosos Malazartes, que riem das mazelas, mas riem com Arte guerreira, que quer mudança.

domingo, 8 de maio de 2011

A TEORIA DO FUNIL (de cabeça pra baixo)


Uma das aulas que me causou mais impressão na vida foi uma que tive na 4ª série do fundamental. Pensando bem agora, talvez eu tivesse 11 anos na época. Da aula mesmo, em si, nada eu lembro, mas de uma pequena exposição da professora, dada em um momento de aparente desespero pela falta de atenção da infernal turminha em que me haviam colocado, recém-saído de um colégio bem menor e mais calmo. A baderna era geral, e a turba dos meus coleguinhas não dava sinal de parar. Eu, como sempre, nada falava, até porque não tinha vontade; se tivesse, não tinha com quem.



Essa professora, então, para tomar as rédeas da situação, resolveu, olha só, argumentar. E o seu argumento para calar a boca e prestar atenção na aula era a teoria do funil. Ganhando momentaneamente a atenção dos alunos, ela desenhou dois traços em direções convergentes, como as paredes de um funil. Antes que os traços se encontrassem, ela fez dois traços paralelos, formando um pequeno bico, de espessura muito fina. Apontando, então, a boca do funil, ela nos disse: "Vocês devem se concentrar, gente, porque a vida é como um funil". "Vocês agora estão aqui", marcando-nos com um riscado de giz. "Mas, depois, o funil vai diminuindo, e aí só vai conseguir o que quer quem conseguir passar pelo bico do funil". Enquanto falava, fez então uma seta apontando os privilegiados no biquinho fino do funil.



Eu tinha uma qualidade que meus outros colegas não tinham: eu sabia que uma pessoa mais velha poderia me ensinar alguma coisa. Pena que talvez a lição não fosse assim tão correta, ou que talvez eu não tenha lidado tão bem com ela. Lembro de como o desenho me impressionou. O começo do funil, larguíssimo, cabia todos os alunos da sala, do colégio inteiro, talvez do Ceará todo. Já o bico do funil era irremediavelmente pequeno. Tentei até pensar que não era tão pequeno assim. Achei até que tinha sido de alguma forma calculado para parecer de um tamanho mediano, para não fazer da tarefa de passar por lá algo impossível.



Não era difícil alimentar minha neurose. Muito estresse depois, e um percurso estudantil com mais vitória que derrotas, fico pensando em como vão meus ex-colegas, daquela sala. Certamente muito bem, obrigado. A maioria deles da classe média, ou classe média alta. Quem realmente conseguiu passar em vestibulares para escolas públicas? Talvez poucos da minha sala. Não tenho ideia do número, mas ao menos no Direito, não lembro de nenhum (o que já prova alguma coisa, já que quase todo mundo quer fazer Direito hoje em dia). Não ficaram, contudo, sem Faculdade. Só pagaram algo a mais. Quer saber? Nosso funil está de cabeça pra baixo. A seleção é na hora do nascimento. Depois é até difícil, vá lá. Mas a parte pior já passou.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O MONSTRO

Por quê? Esta é a mais frequente pergunta depois de tragédias como a de Realengo. São estes fatos que nos mostram nosso lado "humano", nossa compaixão, nosso sentimento gregário. E nada disso consegue nos responder por que tais coisas acontecem. Melhor querer saber por quem. Quem faria algo assim? Um monstro. E de onde nasce o monstro? Onde estão suas fotos de infância? Sorria, brincava? Falava da morte, de mulher, de futebol? Tinha amigos ou só inimigos?

Reunimos cada traço de informação que podemos e formulamos um mapa. Um tipo estranho de mapa, é verdade. Os sorrisos ou misérias de um homem servem para traçar um caminho que não nos leva a ele próprio, ao seu eu mais profundo. Este eu profundo do assassino, sua voz própria, não nos interessa mais, pois ele morreu. Suicidou-se, sua carne apodrece impunemente. Então para onde queremos que nos leve o mapa, a análise, a resposta que tanto buscamos? Obviamente a outros. Aos outros monstros, que se escondem sei lá onde, planejando quando vão matar criancinhas, estuprá-las, ou quem sabe matar aqueles colegas que não olhavam muito amigavelmente, ou que não davam bom dia.

É o acaso, contudo, que nos assusta. Um perfil criminológico não nos dará poderes para determinar os caminhos da vida e da morte, da justiça e da injustiça. A consciência do pouco que podemos fazer para evitar a injustiça no mundo, de uma forma geral, não combina com as nossas hipóteses educacionais, nem as metáforas de "cura" que delas decorrem. Nossos sermões tem pouco efeito sobre os "incuráveis", os "monstros". Os psiquiatras, que nos examinam o cérebro, não conseguem prever sequer a gênese dos que eles consideram loucos; muito pouco conseguem dizer sobre aqueles que não são loucos, mas são simplesmente, no sentido mais vulgar e simplificador do termo, maus.

E agora? É esta a verdadeira pergunta do acaso. É no mundo de hipóteses indetermináveis que a esperança de uma bela criança é abruptamente interrompida sem aviso, sem justiça, por um outro ser humano que desenvolve a necessidade (às vezes controlável) de matar. Eis o mundo do acaso; não é, porém, o mundo do destino, da fatalidade. O mundo não é um jogo de Deus: é uma tarefa incompleta. O assassino envolto na missão neurológica de matar foi, então, surpreendido pelo tiro certeiro de um policial militar. Este, por sua vez, foi avisado por uma criança baleada no rosto. Há liberdade, mas, infelizmente, muitas vezes tardia.

E a nós? O que cabe nesta corrente que ora se estende e que queremos, com nosso choro, pegar? Talvez, somente refletir, às vezes rezar. Talvez evitar alimentar, com nossa compaixão, os pensamentos mais fáceis, de mitificação de bandido e herói. Acima de tudo, não nos apegar aos métodos mágicos de controlar o incontrolável. Façamos do acaso um elemento a mais da nossa liberdade, e não nos prendamos à lamentação ou, pior, ao planejamento inútil e pretensioso.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

LITERATURA BRASILEIRA



Eu tenho um tio escritor. Todos que me conhecem sabem disso: é o Pedro Salgueiro, contista e cronista. Ele que disse, uma vez em que nos encontramos, que não faz tanto sentido se ocupar em falar mal dos livros dos outros. Não concordo inteiramente com essa conclusão, por sinal considero esse tipo de noção até prejudicial para o desenvolvimento de uma verdadeira crítica literária fora e dentro das universidades. Afinal, se um crítico analisa seu livro, a possibilidade de ele falar mal não deveria, em condições ideiais, ser a priori descartada. Porém, na situação em que estamos, a coisa muda de figura. Vivemos numa situação que considero emergencial. É fato que a literatura brasileira contemporânea não é lida em massa, e nisso não vejo nada de alarmante. O que me decepciona é que não temos (nós, os leitores) o costume de procurar os autores do Brasil de hoje e, mais importante, comprar seus caros livros, ainda que tenhamos dinheiro.

Não me incomoda se são poucos os leitores de literatura. Arte é arte, leitura é outra coisa. Certa vez ouvi um representante do governo estadual dizer que tudo é leitura, o que me fez na época imaginar que poderíamos contabilizar até as placas de trânsito não-verbais. Claro que aí seria exagero, e flexibilizar demais a contagem de leitores só serve para forjar estatísticas mais agradáveis. Mas há algo de verdadeiro nisso: a leitura não se fecha na grande arte literarária, e muito embora pareça esta essencial para um povo, paradoxalmente o indivíduo parece prescindir dela para viver. Alguns, contudo, por qualquer razão, se interessam pela literatura com L maiúsculo. Estes tem acesso às grandes revoluções da linguagem, a interpretações ousadas de sua sociedade, à exposição dos próprios medos e prazeres. A fonte eterna das palavras jorra para eles, basta estender as mãos.

Esta fonte é sem etnia, sem nome. Ela não é língua, é linguagem. Ela parece fazer sentido em qualquer meio social, porque ela própria é um meio social. Nele entramos sem passaporte. Contudo, dizer que não levamos conosco a cultura do mundo dividido em fronteiras é pura ingenuidade. Pelo contrário, a literatura burla todas as fronteiras principalmente quando as anuncia e denuncia. O mundo dividido em países e povos faz sentido de um modo diverso. Infelizmente, nós, brasileiros, condenamos nossos escritores à pena de depósito eterno, ainda que tanto nos tenham a falar sobre nós mesmos, inclusive aquilo que deveríamos dispensar em nós, ou talvez podendo com mais capacidade nos falar sobre aquilo que somos ao ler Tolstói ou Huxley. Por isso, prometi a mim mesmo que este ano de 2010 lerei autores do Brasil contemporâneo e quando puder escreverei sobre aqueles de que gostei e que, para mim, vale a pena ler. Meu tempo é tão reduzido, minha paciência tão pouca e a urgência tão grande que não me ocuparei de falar mal de ninguém. Somente falarei sobre os livros que gostei. É o mínimo que poderia fazer para trilhar um caminho de leituras para mim e para quase todos bastante obscuro, mas necessário.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

ANO DO TIGRE



Nunca entendi quantos dias tem o ano chinês, ou de quanto em quanto tempo os bichos se repetem na roleta dos séculos. Lembro da primeira vez em que eu soube que em algum lugar do mundo havia um outro zoodíaco. Era num livro, quase-panfleto de papel jornal, que talvez vendesse em bancas comuns. A cor da capa era preta porque era um escuro céu estrelado, fotografado pelos Deuses ou pelos satélites. Quiromancia, tarot, horóscopo, tudo muito fácil. O mundo, ao contrário do que me ensinavam no colégio, não era divino: era mágico.

Hoje em dia, é mais divertido e alentador pensar que o mundo é governado pelas forças cósmicas do que pelo espírito mundano das nossas necessidades por conforto, nossa sede, nossa ética católica e sem Deus. A promessas paradoxais do ano de grandes felicidades e grandes tormentos não surpreendem a colheita agroindustrial, que se rege pela mesmas regras que nos submetem a algo que podemos e sempre poderemos resistir. Esta opção melhorou alguma coisa? Parece que não. Antes pelo menos nós sabíamos, ainda que enganados, o bicho que estávamos montando.

No fim das contas, o ano do tigre é uma efeméride casual, aproveitada por místicos um pouco falidos, esperançosos por um programa de televisão que queira incluí-los em pauta. Mas também pode ter algum significado para as pessoas que, como eu, tem 20 e poucos anos. Além das festas de mal gosto, para esta faixa-etária também se oferece o trágico fim da adolescência, repetidas vezes e sempre repentinamente, um pouco como ocorre com os vilões dos filmes de terror. Lutando burocraticamente, nos tempos livres a minha geração olha o chão e tenta ver se o dorso do mundo é listrado, se tem pêlos onde se agarrar.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A RAZÃO NO JARDIM



Um dia desses vi uma peça bastante interessante. Começava mais ou menos com descrições teóricas a respeito da racionalidade, da técnica, do modo de produção capitalista. O único que reconheci foi o comecinho da Crítica da Razão Pura de Kant, em que se descreve a diferença entre entendimento e sensibilidade, atributos da razão humana no conhecer do mundo que não podem ser dissociados, ainda que por “sensibilidade” Kant queira dizer algo muito mais primário, que é o atributo de podermos formular sensações a partir de nosso contato com os objetos e o entendimento, por sua vez, nada mais do que organizá-las em conceitos.

Mas a peça e o título da peça falavam da guerra. A peça chamava-se "Guerra Cega Simplex Feche os Olhos e Voe ou Guerra Malvada", apresentada pelo Coletivo Bruto, de São Paulo. Era formada por histórias entrecortadas, das quais me lembro mais firmemente da história do garoto Simplexo, que foge da Guerra dos Trinta Anos, na Europa; a história de uma bailarina cega; a história de um casal de judeus que sobreviveu a campos de concentração nazistas. Minha pergunta é: teria isto algo a ver com Kant?

Como todo o tom da peça, inclusive em partes que são bastante graves, o pessoal do Coletivo Bruto colocou muito humor e aproveitou para fazer graça também do falecido Kant, que, embora quisesse reclamar uma razão universal e uma moral válida para todos os seres racionais, mal pisara fora de sua aldeia. No fim das contas, Kant acaba cego, cuidando do jardim e pedindo a outros que lessem relatos de viajantes. Um vídeo mostra uma atriz fantasiada com uma máscara de Kant Cego (algo como a Kátia Cega) cuidando do jardim ao fim da vida.

Enquanto isso, outro ator, sentado a uma mesa organiza instrumentos cortantes e com eles corta bananas de um cacho até montar um bonequinho. Eis o homem. A narração, se não me engano, é aí que muda: passa-se a ler um texto em que se fala do capitalismo como uma situação em que o indivíduo nada influi, que sobrevive somente através de crises constantes, cuja forma mais aguda é a guerra. A ciência em si e seu desenvolvimento, ainda de memória tento lembrar, de nada servem para superar este estado de coisas. O homem na mesa já estraçalhou o bonequinho de banana. Depois iria oferecer a banana amassada para a platéia.

O pobre Kant, ingênuo e cego, no final da vida, talvez fosse nossa ingênua razão sempre impotente diante do mundo? Parece que não. Uma companhia de teatro que leva um filósofo a tira-colo não pode descrer tanto assim no pensamento (falo de Luiz Henrique Lopes dos Santos, ator e professor da USP). Talvez, bem melhor, estivéssemos criticando uma razão que se contenta em ser um instrumental neutro dos indivíduos isolados, o qual, cego à alteridade e à solidariedade coletiva, serve tanto para construir o conceito de homem como para negá-lo e destruí-lo.

Desse modo, como sugere a peça, vivemos como na tragédia grega, pois agir de acordo com nossa racionalidade nos obriga a suportar conseqüências indesejadas e inesperadas. É como se só escolhêssemos os meios, nunca os fins. Mas isto não deve querer dizer que o ser humano deve esquecer a razão. Basta que a razão abra os olhos, ou melhor: basta que abramos nossos olhos e percebamos que só enxergamos o mundo de modo completo em parceria com os olhares alheios. Se nossa razão passeia cega e só cuida de jardinagem, a quem deixamos a moral, a política, o pensamento? A quem mais deixaremos o nosso futuro?